Delação bombástica de Renan Calheiros e Romero Jucá

A sua desenvoltura no tratamento com o Poder Executivo, especialmente junto ao Ministério da Fazenda e do Ministério do Planejamento, tendo sempre voz de relevância junto a este Poder. Essas características foram essenciais para que o Senador Romero Jucá se qualificasse como o meu contato fundamental para o desenvolvimento de relações institucionais.
No extenso período de sua posição de líder do governo (2006 a 2012), os temas afetos à Odebrecht foram tratados por ele nas diversas discussões técnicas com a Empresa e, sobretudo, na defesa de nossos pleitos perante o Poder Executivo.
O Senador sempre esteve à frente de todas as decisões importantes do Congresso, em especial em temas de referência tributária, em que ele tem grande domínio técnico. A forma como tratei os temas que relato a seguir era fundamentada em uma certeza: todo apoio desenvolvido pelo Senador, teria, nos momentos de campanha, uma conta a ser paga.
As insinuações não deixavam dúvidas de que no momento certo eu seria demandado pelo parlamentar. Salvo alguns casos que serão especificamente apontados adiante, essas demandas sempre ocorriam em períodos eleitorais. De forma clara e objetiva: eu e o Senador tínhamos a convicção de que os apoios aos pleitos da empresa seriam posteriormente equacionados no valor estabelecido para contribuição a pretexto de campanha eleitoral, fosse ela realizada de forma oficial ou via caixa 2.
Eu solicitava a aprovação das contribuições ao Senador Romero Jucá a Marcelo Odebrecht, ou, a depender do tema tratado, a algum LE. Essas contribuições eleitorais eram medidas, definidas e decididas de acordo com a relevância dos assuntos de nosso interesse que tinham sido defendidos pelo parlamentar.
A natureza do meu relacionamento com o Senador Romero Jucá, fundamentado no apoio aos nossos pleitos e nos pagamentos supostamente destinados para campanhas, me garantiu proximidade ao Senador Romero Jucá, ao ponto de acessá-lo diretamente por telefone ou, mesmo com o gabinete cheio de pessoas aguardando para tratar com o Senador, eu ter a preferência de ser o primeiro a ser recebido. Eu sempre vi no Senador Romero Jucá a presença intrínseca da figura do Senador Renan Calheiros. Isso significa que eu sabia que os pleitos que eu levava ao Senador Romero Jucá também seriam transmitidos 15 ao Senador Renan Calheiros e por ele defendidos.
Isso bastava para que eu entendesse o recado e visualizasse o tamanho da posição política representada por Romero Jucá. Reforça este entendimento o fato de que seu gabinete sempre esteve repleto de empresas buscando a defesa para seus pleitos. O fato de o Senador Romero Jucá representar também o Senador Renan Calheiros era tão notório que, em uma oportunidade, procurei tratar com o Senador Renan Calheiros sobre um tema de interesse que já havia tratado antes com o Senador Jucá, e Renan Calheiros me interrompeu logo no início, afirmando já estar ciente e garantindo que eu não me preocupasse. Além da liderança parlamentar e do fato de ser um efetivo representante do Senador Renan Calheiros, o Senador Romero Jucá desempenha papel de grande relevância internamente no PMDB. Além de já ter ocupado o cargo de Vice-Presidente, é pública a voz ativa do Senador dentro de seu partido.
O Senador Romero Jucá desempenha, assim, função de clara ascendência sobre grande parte de outros políticos do PMDB. Acredito que, pelo menos no que toca a Odebrecht, nos temas afetos a mim a importância de Romero Jucá no PMDB transcendia a mera liderança política, pois ele concentrava a arrecadação e distribuição dos recursos destinados ao partido. Os relatos abaixo corroboram essa minha visão. Ao longo dos anos que mantive interlocução com o Senador Romero Jucá, participei de pagamentos a ele que hoje superam R$ 22.000.000,00. Como tive conhecimento, esses valores eram centralizados no Senador Romero Jucá e posteriormente redistribuído dentro de seu grupo no PMDB. Todos os detalhes referentes a esses pagamentos e das contrapartidas decorrentes deles serão narrados com profundidade em relatos específicos constantes no item 3. Essa característica sempre foi considerada por mim como ponto de referência na minha relação. As reuniões que eu realizei com Romero Jucá foram sempre agendadas através da minha secretária, Diva Souza, que marcava com Cristiane, secretária do Senador, através do número de telefone 3303- 2111/2119.
As reuniões sempre ocorreram no Senado Federal Anexo 2, Ala Senador Afonso Arinos, Gabinete do Senador, em horários variados ao longo do dia. Em várias reuniões José Filho esteve presente comigo. As reuniões ocorriam na sala do Senador, sempre em uma mesa grande retangular, que ficava logo na entrada de sua sala. Em algumas oportunidades, eu e José Filho ficávamos esperando o Senador já na sala dele, o que demonstrava uma grande deferência dele à nossa relação e à empresa. Sempre fui às reuniões no carro da empresa (Toyota Corolla cinza – Placas dos carros da empresa: JIZ 0228, PAZ 4158 e PAZ 4159), com meu motorista Carlos Eduardo.

Fonte: O Estado de São Paulo

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